Depressão Pós Parto
- Fernanda Assis

- 17 de abr. de 2020
- 3 min de leitura
Atualizado: 18 de abr. de 2020
“A tristeza pós-parto é fisiológica e pode atingir até 80% das mulheres; no entanto, a depressão pós-parto é mais grave, pode incapacitar a mulher e precisa de tratamento”.
Depois do nascimento do bebê a felicidade invade o coração de toda a família... do pai, dos tios, avós e também tem a expectativa da volta para casa com o quartinho arrumado e as roupinhas do bebê; a mãe por sua vez, entra em contato com um sentimento diferente de irritabilidade, impaciência, tristeza que nem sempre é possível explicar; dependendo da duração estes sentimentos ( que pode ser de 2 a 10 dias) não há com que se preocupar, afinal é um momento que junto com a felicidade vem o cansaço, descontrole do sono, mudança de rotina, o corpo passa por transformações físicas e naturalmente este sentimento vai embora.
A Depressão pós parto aparece depois de algumas semanas do nascimento do filho; segundo o médico psiquiatra Dr. Frederico Navas Demetrio, uma das causas é que: – “O pós-parto é um período de deficiência hormonal. Durante a gestação, o organismo da mulher esteve submetido a altas doses de hormônios e tanto o estrógeno quanto a progesterona agem no sistema nervoso central, mexendo com os neurotransmissores que estabelecem a ligação entre os neurônios.” E também existem hormônios produzidos pela tireoide que podem deixar a mãe cansada, lenta e deprimida. Há outros fatores que podem contribuir para que este sentimento se instaure, além dos físicos têm os fatores emocionais. Mulheres que tiveram histórico depressivo anteriormente, mesmo que não tenha haver com gravidez, pode apresentar este quadro, ou ainda mulheres que tiveram alguma dificuldade no período da gravidez como por exemplo não ter planejado a gestação, têm mais tendência a passar este problema.
Vale dizer que a tristeza que a mulher sente não é pelo nascimento do filho em sí, ou por não se considerar uma mãe suficientemente boa para aquela criança, a tristeza dela é em todos os sentidos da vida, ela perde o interesse até mesmo nas pequenas coisas, não consegue olhar para si e ter o mínimo de cuidado como fazer o cabelo ou a unha, assistir um programa que gosta muito na tv, perde o interesse sexual não tem vontade de conversar com as amigas, se for mulheres que estão em licença a maternidade, não se preocupam em como será a carreira depois disto ou se terá seu emprego de volta. Ansiedade, transtornos alimentares, choro constante, não têm esperança na vida e sente dificuldade de viver coisas novas, inclusive com a criança. É importante dizer que para se considerar um quadro de depressão pós parto estes sintomas que citei acima tem que ser exagerado, a tristeza tem que ser profunda, pois há mudanças na vida da mulher depois do nascimento de uma criança e ela pode apresentar estes sintomas de forma leve, sendo uma tristeza ou distimia ( transtorno do humor que acomete de 3 a 5% da população e se caracteriza por problemas cognitivos e físicos presentes na depressão, com sintomas menos severos porém mais duradouros) por isso a importância de observar o tempo e a intensidade dos sintomas.
Quem já passou alguma vez por este problema tem chances de ter novamente em outra gravidez. Estatísticas mostram 1 a cada 4 mulheres sofrem de depressão pós parto. A depressão pós-parto é algo muito sério, não é frescura ou uma simples tristeza. Se você já passou por isso ajude na orientação a outras mulheres, se está passando não tenha medo e nem vergonha de expor seu sentimento, você não tem culpa! São inúmeros fatores entre eles emocionais e hormonais que te fizeram passar por isso, tem cura e você pode ter uma vida saudável junto do seu filho. Algumas medicações podem ser eficazes neste momento, sempre apoiada com um bom médico para fazer a prescrição. A psicoterapia é um ótimo aliado , pois ajuda a mulher a se enxergar e entender como buscar outras alternativas. A forte ligação que ela tem com o bebê a ajuda na consciência, dá motivação para lutar e sair da depressão e não afetar tanto o desenvolvimento daquela criança que diretamente e indiretamente está envolvida neste quadro.
Deixe seu comentário, conte-nos a sua experiência, talvez possa ajudar outras mulheres que estão passando por isso.



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