O processo da criação do papel “MÃE”
- Fernanda Assis

- 27 de mar. de 2020
- 3 min de leitura

Há casos que notoriamente se via o desejo desde pequeno daquela criança que brincava de casinha fingindo ser a mãe daquela boneca, dando colo... trocando roupinha... dando a mamadeira. Outros casos víamos aquela garotinha que queria ser médica, que colocava o brinquedinho no coraçãozinho para ouvir os batimentos ou dava uma injeção na boneca... Tinha ainda aquelas meninas que preferiam jogar bola, que não gostava muito de brincar de comidinha e casinha....todas meninas que mais tarde se tornaram jovens, mulheres e quem sabe, mãe! Digo quem sabe, pois estamos em um mundo contemporâneo onde ser mãe é só mais um dos papeis que a mulher tem e ela pode ou não quer exercê-lo.
A maternidade pode ser programada, pode ser inesperada, pode ser com o amor da sua vida ou aquele que por uma noite demonstrou ser o “cara”, porém maternidade é diferente de ser mãe, de efetivamente se encontrar neste papel que a vida lhe permite desempenha-la da melhor forma possível; a cabeça neste momento parece padecer, sem raciocínio lógico há uma obrigação de se tornar a “Mulher Maravilha” ou fazer parte do trio das “Super Poderosas”. Ser profissional, esposa, dona de casa são papeis bem pequenos diante do papel mãe, talvez algumas podem pensar assim...porém é um peso muito grande, com responsabilidades enormes onde não há um olhar para o ser que é a mulher, somente existe o olhar no ser que é o filho...e aí vem o problema. A pressão psicológica pode gerar sentimentos de culpa, de insuficiência, e as vezes até de negação (falaremos mais sobre isto nas próximas semanas). Buscar a perfeição afasta muito do prazer de viver uma maternidade de descobertas, alegrias e satisfação e aproxima das frustações e desilusões. Para desempenhar o papel de mãe de forma eficaz, o papel da mulher necessita estar estabelecido.
Entender que estando realizada em outras áreas da vida a felicidade em sua estancia maior prevalecerá como mãe; com isto a mulher compreendida em papel de mãe, com propriedade criará uma criança confiante, não se sentirá culpada e nem negligente, compreenderá que ela sendo uma mãe suficientemente boa é o que basta. Segundo o escritor, pediatra, Donald Winnicott, ser uma mãe suficientemente boa ajuda a formar a mente do bebê, possibilitando-lhe a experiência da onipotência primária. A mãe suficientemente boa aceita, consciente ou inconscientemente, as expressões do bebê: a fome; os incômodos; o prazer; o desejo. Ela não impõe o que pensa ser o certo, mas permite ao filho ter experiências nas quais ele é sempre sujeito. Assim, o bebê forma seu verdadeiro self. O primeiro espelho da criatura humana é o rosto da mae: A sua expressao, o seu olhar, a sua voz.[...] E como se o bebe pensasse: Olho e sou visto, logo, existo!
É importante ressaltar que este processo acontece ao longo do tempo, a paciência e persistência são companheiros neste caminho. Os filhos não precisam de mães perfeitas e sim de mães que são capazes de ama-los em sua fragilidade, limitações, no choro, no coco...mães que não se culpam por estar cansadas, de não entender o que aquele choro significa, mães que acolhem, dão colo, carinho, amor em uma medida incondicional, mas que ao mesmo tempo não mima excessivamente tornando a criança dependente sempre. São mães que ensinam aos filhos a terem este mesmo tipo de amor para com os outros, sem julgamentos, tornando-os serem capazes de tornarem o ambiente que vivem melhor em um mundo cheio de desesperanças.
A mulher é um ser muito corajoso, capaz de se reinventar, de balançar o carinho, atender telefone, ouvir a conversa que acontece na cozinha e dar soluções para todas as coisas, transmite confiança, mas que muitas vezes sofre sozinha, carrega um peso enorme nas costas pelas responsabilidades que podem e devem ser compartilhadas... Por isso o processo de olhar para si, entender a sua necessidade primaria é fundamental para uma vida emocional saudável, ao final o que vai mais importar é a disponibilidade da mãe às reais necessidades emocionais dos filhos e isto só acontecerá se ela estiver inteira com um amor próprio alicerçado, uma autoestima suficiente para dar ao outro o que ela tem sem um déficit na alma.



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